25 de maio de 2018

Paralisação afetou importantes setores sociais

Bloqueio dos caminhoneiros no Km 19 da BR-116 (Foto: Fabio Lima)
Quatro dias após o início da paralisação de caminhoneiros em todo o Brasil, a Justiça Federal no Ceará — assim como a de outros 12 estados — ordenou a reintegração de posse das BRs ocupadas. No Estado, dez rodovias federais foram bloqueadas, além de vias estaduais. No País, foram quase 600 interdições. O movimento — que, após proposta da Presidência da República, pode realizar trégua de 15 dias — mostrou que pode desestruturar importantes setores da sociedade.

Em muitos municípios cearenses, o impacto já sentido ontem envolveu trânsito interrompido, alimentos mais caros, linhas de produção prejuízo, indisponibilidade de voos, supermercados sem estoque. Caso a paralisação continue, outros segmentos serão ainda mais afetados, podendo chegar até ao atendimento em unidades de saúde. Nacionalmente, alguns estados já exibiam ontem um cenário quase caótico de falta de produtos. 

Conforme a Infraero, três aeroportos ficaram sem combustível para atividades de pouso e decolagem: São José dos Campos, em São Paulo; Ilhéus, na Bahia, e Carajás, no Pará. O cearense Gleison Silva de Lima, 41, técnico em equipamento médico, tentou comprar uma passagem para Curitiba e o retorno foi de que os voos estavam indisponíveis. 

“Entrei em contato com o meu supervisor lá e ele disse que as empresas, com a greve, não estão fechando voos”. No aeroporto de Juazeiro do Norte, a reserva de combustível só assegurava operações por até 18 horas. 

Nas rodovias, o transporte intermunicipal parou em alguns trechos. O ônibus onde estava a professora Larissa Arruda Aguiar, 29, que ia para Crateús, parou muitos municípios antes, em Canindé. “Ficamos duas horas parados, em negociação. Como não houve, as empresas decidiram trocar o destino dos ônibus que estavam em sentidos contrários ao bloqueio. Muita tensão entre os caminhoneiros e os passageiros”, contou.

Conforme o jornal O POVO apurou, na Capital, as empresas de ônibus chegaram a fazer escalas que reduziam a circulação dos coletivos à mesma proporção dos domingos. Entretanto, a Prefeitura de Fortaleza não autorizou a mudança. Em Salvador, a decisão de reduzir a circulação da frota foi confirmada para amanhã. No Grande Recife, apenas 50% da frota estava prevista para circular hoje. 

Nos supermercados, os relatos eram de falta de frutas, verduras e leite. Além do aumento de preços. Ontem (24/05)  tinha gente enchendo o carrinho já se prevenindo para um possível desabastecimento maior. 

“Vim comprar para levar para minha casa e para Mulungu, onde moram meus pais, que me ligaram e disseram que já faltam coisas por lá”, relatou Everton da Costa, 40, em supermercado no bairro Messejana.



O consultor em bovinocultura leiteira Raimundo Reis explicou que toda a cadeia produtiva é prejudicada. Da fazenda, passando pelos laticínios até o supermercado. 

“Um ou dois dias sem possibilidade de transporte já é um problema, porque o leite é muito perecível e os tanques de armazenamento têm capacidade limitada”, detalhou. 

Nas indústrias, a lógica de operação “just in time”, que prevê pouca estocagem de matéria-prima, afeta ainda mais a relação produção/distribuição. O dia hoje deverá ser de reestruturação e tomada de fôlego pelos setores mais produtivos do País.

Com informações portal O Povo Online