27 de agosto de 2014

Com ânimos acirrados, Dilma, Aécio e Marina trocam farpas no primeiro debate de presidenciáveis na TV

Primeiro debate teve sete presidenciáveis, mas três se destacaram (Foto: Eduardo Enomoto)
O primeiro debate presidencial na tevê, transmitido pela TV Bandeirantes na noite de ontem (26/08), contou com sete participantes, mas as discussões acabaram protagonizadas pelos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. 

Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) destacou os programas sociais de governo, como o Pronatec e o Bolsa Família, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) adiantou o nome de seu ministro da Fazenda e a ex-senadora Marina Silva (PSB) lembrou o ex-governador Eduardo Campos em duas de suas intervenções, no início e no fim do debate.

Dilma não perdeu nenhuma chance de atacar a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que comparou sempre que pôde com os anos do PT no Palácio do Planalto. Coube ao alvo preferencial de Dilma, Aécio, retrucar as críticas da presidente e tentar se apresentar como uma alternativa a um modelo de gestão que, segundo ele, levou o Brasil a uma crise econômica.

Atual segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto, Marina Silva passou boa parte do debate criticando a polarização entre PT e PSDB, como Eduardo Campos já vinha fazendo enquanto era o candidato do PSB. A ex-senadora destacou, contudo, que pretende governar com o “banco de reservas” dos outros partidos, onde estão os melhores quadros da política nacional.

Também participaram do debate Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB) e Everaldo Pereira (PSC), que puderam apresentar seus projetos em áreas como economia, educação e saúde, mas tiveram menos oportunidades para falar do que os três melhores colocados nas pesquisas de intenção de voto, já que as perguntas se concentraram entre Dilma, Aécio e Marina.

Entre os candidatos de menor expressão, quem mais chamou atenção nas redes sociais foi Eduardo Jorge, mas mais pelas intervenções peculiares do que pelas propostas. Luciana Genro aproveitou o espaço para se apresentar e tentou se mostrar como representante dos anseios das manifeatações de junho do ano passado.

Já Everaldo Pereira se colocou em posição ideológica oposta a Luciana, devendendo valores de economia liberal, como privatização, e conservadores, se posicionando contra o aborto e o casamento entre homossexuais. Mais próximo de Everaldo ideologicamente, Levy Fidelix concentrou seu discurso em questões econômicas e de mobilidade urbana, mas sem mencionar a proposta do "aerotrem".

O primeiro bloco foi pautado pela organização do debate, que escolheu o tema segurança pública para dar início às discussões da noite. Enquanto Fidelix defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, Eduardo Jorge disse que a liberação e regulação das drogas seria a medida mais efetiva para combater a criminalidade — a mesma política para drogas é apoiada por Luciana Genro.

A sequência do debate teve blocos intercalados de perguntas de jornalistas e questões feitas entre os candidatos, sempre com comentários de um outro presidenciável. A maior parte das perguntas foi dirigida a Dilma, Aécio e Marina.

Apesar de Marina ter apresentado o maior crescimento nas últimas pesquisas, Dilma e Aécio Neves trocaram a maior parte de ataques e provocações. A candidata à reeleição disse que a inflação está sob controle e criticou várias vezes o governo FHC. Dilma também rebateu as críticas do tucano à gestão da Petrobras, dizendo que a “PF tem autonomia e investiga a todos, doa a quem doer”.

Aécio, por sua vez, disse que o sonho do brasileiro é morar na propaganda do PT, que, segundo ele, apresenta um "Brasil virtual". O senador aproveitou para anunciar que, se eleito, terá o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como ministro da Fazenda.

Já Marina disse se sentir “coerente” em defender a nova política, que consiste em “combater a velha polarização que nos últimos 20 anos se constituiu num atraso para o País”.

"A polarização PT-PSDB já deu o que tinha que dar. [...] Quando digo que quero governar com os melhores, reconheço que tem pessoas boas em todos os partidos. O problema é que essas pessoas estão no banco de reservas, e as pessoas que foram as ruas em junho de 2013 vão escalar uma nova seleção", concluiu

Com informações Portal R7