3 de agosto de 2014

Quando bater pode ser uma boa estratégia para o voto

O discurso oficial é uma beleza só: “Queremos fazer uma campanha leve, propositiva, sem ataques”, garantem candidatos de todos os lados a cada dois anos. 

Na prática, no entanto, o tom pacífico raramente se sustenta. Acusações, boatos, insinuações e dossiês são ferramentas de estratégias agressivas que costumam ser sacadas de forma deliberada em cada eleição. Sai na frente quem souber usá-las sem deixar que o tiro saia pela culatra. 

O consultor em marketing político-eleitoral Carlos Manhanelli, autor de vários livros sobre o tema, explica que não se envereda para a seara do ataque à toa. “Pesquisas estão sendo feitas. O efeito do ataque tem de ser bem testado, pois é uma faca de dois gumes. Se você não medir antes, se não fizer as qualitativas pra ver a reação do público, o resultado será uma incógnita. Não se solta um assunto do nada”, diz Manhanelli.

Ele lembra exemplos contrastantes do passado, como a eleição presidencial de 1989, em que Fernando Collor (hoje no PTB) desbancou seu então adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao levar à tona a história de que o petista teria dado dinheiro à ex-mulher para que ela fizesse um aborto. Mais recentemente, nas eleições de 2008 para a prefeitura de São Paulo, a tática agressiva não vingou. A ex-candidata Marta Suplicy levantou insinuações sobre a orientação sexual de Gilberto Kassab (PSD), que saiu por cima e venceu o pleito.

O publicitário cearense e especialista em marketing político Ricardo Alcântara pondera que, em geral, o uso da agressividade aumenta a rejeição do candidato que adota a prática. “Não existem regras sem exceções, depende muito da conjuntura, mas este fenômeno se repete com frequência: a rejeição aumenta para quem bate. Acontece que, às vezes, quando se precisa desgastar o adversário, vale a pena pagar o preço”, observa.

A alternativa para “reduzir danos”, segundo ele, é poupar os candidatos do jogo ofensivo e deixar que a retaguarda cumpra esse papel. O plano tem sido usado neste início de campanha no Ceará, no qual Ciro Gomes (Pros) e Gaudêncio Lucena (PMDB) têm protagonizado agressões nas redes sociais em favor de seus favoritos ao Governo, Camilo Santana (PT) e Eunício Oliveira (PMDB), respectivamente.

“Isso atende a uma estratégia, tudo isso tem pesquisa por trás. O candidato do PMDB é mais conhecido. Então Ciro tenta dar um conteúdo negativo a esse nome, para reduzir essa margem de pessoas que tem a tendência a votar em Eunício porque o conhece. Nesse caso, acho que o PMDB reagiu mal. O Ciro acusou o Eunício. E o Gaudêncio apontou na direção do Ciro, que nem candidato é”, avalia Ricardo, que trabalhou como marqueteiro do ex-governador Lúcio Alcântara e está fora da campanha deste ano. O bate-boca ocorreu no Facebook, na última quarta-feira (30/07).

Com informações O Povo Online