12 de março de 2021

Governador anuncia isolamento rígido em todo o Ceará a partir deste sábado

Governador Camilo e secretário Cabeto anunciaram as novas medidas nas redes sociais (Foto: Reprodução/Facebook)

Em pronunciamento na noite de ontem (11/03) por meio das redes sociais, o governador Camilo Santana (PT) anunciou isolamento rígido em todo o Ceará a partir de zero hora de amanhã (13/01). A medida, que terá validade até 21 de março, foi adotada em momento crítico para o sistema de saúde devido à lotação das unidades públicas e privadas e à circulação do Sars-Cov-2, o coronavírus que causa a Covid-19.

Com essa determinação, o isolamento rígido em Fortaleza foi ampliado por mais três dias. Iniciado no último dia 5, a previsão de vigência era até dia 18. Nesse período, só poderão funcionar a construção civil, a indústria e as atividades essenciais do comércio.

Ao defender a necessidade do isolamento rígido, Camilo Santana alertou que, mesmo com a ampliação de leitos, há fila de espera para internação. "Lembrando que, no final de dezembro (de 2020), tínhamos 186 leitos Covid-19 no Ceará. Hoje já são mais de 3.500", afirmou. "Para garantir a vida das pessoas, nesse momento, não tem outra alternativa a não ser frear essa contaminação, e a única forma que temos hoje é através do isolamento social." 

O isolamento social rígido será adotado em todo o Estado pela primeira vez. Em 2020, quando a pandemia teve início em Fortaleza e posteriormente avançou pelo Estado em ritmos diferentes, as restrições foram regionalizadas.

Na noite de ontem informações do IntegraSus, plataforma da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), apontavam que praticamente todos os municípios do Estado encontram-se em níveis de alerta 3 e 4, que correspondem a risco alto ou altíssimo. Para essa avaliação, considera-se percentual de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ocupados, internações por causas respiratórias, taxa de letalidade por Covid-19 e incidência de casos de Covid-19 por dia/100 mil habitantes. Apenas duas cidades — São João do Jaguaribe e Erere — estão em risco moderado, e nenhuma está em risco baixo. 

Ainda de acordo com dados da plataforma, o Ceará contabilizou 459.782 casos confirmados de Covid-19 até ontem. O número, registrado às 16h53min, representa aumento de 5.457 confirmações da doença em todo o Estado, em relação ao registrado às 16h46min do dia anterior, 10.

Quanto aos óbitos, houve aumento de 102 mortes por Covid-19 registradas no mesmo período, e o Estado chegou a 12.116 vítimas da doença. Cinco das mortes registradas ocorreram nas 24 horas anteriores à atualização do sistema. 

Na transmissão ao vivo nas redes sociais, o governador também destacou o impacto da variante P.1 do Sars-Cov-2, que tem modificado o perfil dos pacientes internados no Estado. De acordo com ele, atualmente, mais de 54% deles tem menos de 60 anos. 

"No ano passado, as pessoas mais graves eram os idosos, acima de 70 anos, de 80 anos. Agora, essa nova variante está sendo muito agressiva para uma população mais jovem. Isso demanda inclusive mais tempo no leito de UTI, mais tempo no leito de enfermaria, e agrava ainda mais a pressão sobre o sistema de saúde."

Na mesma ocasião, o secretário estadual da saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, Dr. Cabeto, destacou três finalidades do distanciamento social: diminuir a circulação viral, evitar as mutações do vírus e não esgotar o sistema de saúde. 

"Diariamente, abrimos entre 50 e 100 leitos, ultrapassando e muito a capacidade de vários estados brasileiros, mas o número de contaminados ainda é maior", apontou.

As cinco macrorregiões de saúde do Ceará - Fortaleza, Sobral, Cariri, Sertão Central e Litoral Leste/Jaguaribe - estão com taxa de ocupação de leitos de UTI acima de 85%.

Além disso, o fator de reprodução (RT) da epidemia está próximo do valor crítico que é 1 (100 casos produzem outros 100) ou bem acima. Caso de Fortaleza que se aproxima do RT de 1,25. A pior situação do Estado.

As estatísticas, avaliadas por cientistas da Universidade Federal do Ceará, por pesquisadores das secretarias da Saúde do Estado, de Fortaleza e de outras instituições, levaram o governador Camilo Santana (PT) a decretar o isolamento rígido  em todo território cearense.

A medida, que começará no próximo sábado, 13/3, e se estenderá até 21/3, é mais uma tentativa de conter a contaminação num cenário com a rede de saúde exaurida e um baixo índice de vacinação da população (um pouco mais de 3%).

Em Fortaleza, epicentro da epidemia da Covid-19 no Ceará, a conta não fecha. De acordo com epidemiologista Antonio Lima Silva Neto, gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da secretaria da Saúde da capital cearense, "Há aumento de óbitos, aumento da ocupação de leitos e uma epidemia com tendência ao descontrole", explica.

A opção pelo isolamento rígido, de acordo com o secretário estadual da Saúde, Carlos Roberto Martins (Cabeto), é diminuir a circulação viral do novo coronavírus, evitando a propagação de um vírus mutante que vem exaurindo a assistência nos hospitais.

O Ceará corre o risco da exaustão assistencial completa, mesmo com o esforço do governo estadual e de algumas prefeituras na abertura de novos leitos. A doença está se propagando em escala exponencial e a ampliação da rede em escala linear.

Os efeitos positivos de um isolamento social rígido, geralmente, aparecem depois dos dez primeiros dias ou em duas semanas a partir da restrição radical.

Ano passado, o isolamento rígido no Ceará foi de 5/5 até 31/5. Perto do dia 15/5 foi começou um arrefecimento da contaminação. A propagação que estava em 2 RTs caiu para 1,4 e 1,3.

Com informações portal O Povo Online

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