15 de outubro de 2014

Dilma e Aécio fazem debate marcado por ataques

Dilma e Aécio antes do início do debate da Band (Foto: Futura Press)
O primeiro debate entre presidenciáveis, na Band, nesta terça-feira (14/10), deu mostras do que serão os últimos dias de campanha. Em uma hora e meia de embate, Dilma Rousseff e Aécio Neves trocaram acusações, se acusaram mutuamente de estarem mentindo e não raro davam ou ouviam respostas com falas e gestos irônicos. Faltando 11 dias para a votação, a expectativa é que o embate dê o tom da disputa. 

Apoiada em números do seu governo – e às vezes dos 12 anos de PT no Governo Federal, Dilma cumpriu a promessa feita no primeiro bloco, o de confrontar os anos PSDB, com Fernando Henrique Cardoso, e os do petismo no poder. Enquanto Aécio exaltava o Plano Real e estabilidade econômica, Dilma erguia a bandeira as conquistas sociais, como a redução de desigualdade.

Aécio chegou a pedir para Dilma parar de "olhar no retrovisor" e discutir propostas. A petista também aproveitou para atacar Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e ministro da Fazenda em um eventual governo tucano. O controle da inflação foi usado pelos dois candidatos para ataques mútuos. Dilma prometeu segurar o índice em 6,5%, e Aécio afirmou que a taxa está descontrolada.

A candidata do PT também insistiu na derrota de Aécio em sua terra, Minas Gerais, que governou por oito anos. Aécio, por sua vez, lembrou que deixou o posto com 92% de aprovação.

Para garantir que não pretende acabar com os programas sociais, Aécio citou dois dos mais famosos para prometer melhorias no Bolsa Família e no Pronatec. A paternidade do primeiro chegou a ser disputada entre os dois em determinado momento do debate.

Aécio defendeu a tese de que o Bolsa Escola, de “DNA tucano”, serviu de base para o Bolsa Família: “O programa tem como pai Fernando Henrique Cardoso e mãe, dona Ruth”. Dilma reagia com ironia e citava mais números: “O Bolsa Escola atendia 5 milhões de pessoas, enquanto o Bolsa Família é para 50 milhões”.

O caso de corrupção na Petrobras também foi lembrado por Aécio. Dilma, por sua vez, citou a construção do aeroporto no terreno de um tio do tucano, na cidade de Cláudio (MG). Neste momento, ambos se acusaram mutuamente de serem levianos e de mentirem.

Em um momento de nítida irritação de Dilma, a petista enumerou vários escândalos tucanos, como o do suposto cartel do metrô de São Paulo e até outros mais antigos, como o da polêmica aprovação da emenda da reeleição, no governo de Fernando Henrique e o caso Sivam. "Ninguém foi preso", cobrou Dilma.

Ao acusar Aécio de desviar R$ 7,6 bilhões da saúde em Minas Gerais, o tucano chamou a petista de "desinformada". Em resposta, Dilma sugeriu que as pessoas consultassem o site do Tribunal de Contas mineiro, que comprovaria a irregularidade.

Em um dos momentos em que a plateia reagiu de forma mais ruidosa, Aécio disse receber pedidos na rua para que ele "liberte" as pessoas do PT. Os petistas chegaram a ensaiar uma vaia no estúdio.

Nas considerações finais, Aécio agradeceu o apoio da família de Eduardo Campos e de Marina Silva. Motivado pelas derrotas que teve no Nordeste, o tucano prometeu fazer um governo “para todos” e não do “nós e ele”. O candidato foi muito aplaudido pela ala tucana presente no estúdio.

Já Dilma convidou os eleitores indecisos a uma reflexão sobre a capacidade de cada candidato: “Quem pode garantir o que conquistamos e avançar?”. Questionou a petista, que encerrou sua fala pedindo “humildemente” os votos dos brasileiros. Antes mesmo de encerrar suas considerações finais, Dilma também foi efusivamente aplaudida pelos petistas, que chegaram a gritar o nome da candidata.

Com o debate, a Band alcançou pico de 13,5 pontos no Ibope. A média, segundo prévia do instituto, foi de 11 pontos. Na maior parte do tempo, a emissora ficou em primeiro lugar na audiência. Veja a repercussão nas redes sociais.
Com informações Portal Band News